Propor, executar, incentivar e acompanhar atividades de formação e comunicação social e comunitária continuada numa visão social libertadora

Parceiro: 
NPC

1.1 Finalidades da ação do NPC no quadro sócio-político de 2012           

A sociedade brasileira está vivendo um momento de grandes transformações sócio-políticas desde o começo da primeira década do século XXI. Alguns passos estão sendo dados no sentido de uma maior inclusão econômico-social de camadas tradicionalmente mantidas à margem de qualquer participação na sociedade.

O grande crescimento econômico, mesmo no quadro da crise mundial em curso, associado a medidas compensatórias, tem permitido o crescimento do emprego e consequente melhora econômica de milhões de pobres. As estatísticas relativas ao consumo básico mudaram relativamente o mapa da pobreza tradicional.

Mesmo nesse quadro, porém, as desigualdades persistem. Somos um dos países com piores índices de concentração de renda do mundo. Há ainda enormes carências na educação, na saúde, nos serviços básicos, como saneamento e transportes que fazem sofrer 80% da população. O Brasil é um país tremendamente desigual. Nossos índices de saneamento básico são uma chaga social. Estes convivem tranquilamente, sem que as pessoas se choquem, com os mais altos números de cirurgias plásticas do planeta.

O quadro político de pujança das lutas sindicais e populares, típico dos nossos anos 1980-2000, não é mais o mesmo. Uma crise de projeto político é facilmente visível, seja no nível partidário que de organizações sociais (sindicatos, centrais sindicais e movimentos sociais). Ao tempo que vivemos a combatividade de alguns setores, assistimos a dificuldade de unificação das reivindicações e das práticas de luta das várias organizações sócio-políticas da sociedade.

  Por outro lado, os conservadores, organizados e coordenados por uma mídia muito poderosa e centralizada atuando enquanto partido efetivo do capital, travam uma batalha diária pela garantia da hegemonia político-ideológica nas mãos da classe que a detém há séculos. 

É nessa conjuntura que se insere a necessidade de uma compreensão do que é hoje a batalha pela hegemonia. A batalha da centralidade da comunicação para construir um novo consenso, base da nova hegemonia, centrada da democratização, em um modelo de desenvolvimento e na garantia dos direitos humanos.

Rio de Janeiro

Uma das tragédias históricas da sociedade brasileira, a moradia, continua intocada e sem nenhum projeto público como solução. As favelas ainda são a marca registrada da nossa cidade. Agora, acrescidas da política de remoção forçada para dar lugar aos megaprojetos ligados ao esporte e, sobretudo, deixar o caminho livre para a especulação imobiliária.  

Esta população moradora de favelas a quem se destina este curso é vítima da precarização do trabalho, de baixos salários, baixas condições de moradias, saúde e educação. Este quadro brasileiro permanece inalterado com a diferença de se ter mais pessoas no mercado de trabalho.

Além disso, esta população é vítima de uma tripla violência: do Estado, através da polícia; e do poder paralelo, exercido por traficantes de drogas e por milícias armadas que, hoje, substituem, no Rio de Janeiro, os famosos grupos de extermínio, compostos em sua maioria por policiais e ex-policiais, e que expandiram a sua área de atuação da Baixada Fluminense para favelas de toda a cidade.

Nesse contexto continua mais do que atual a necessidade da organização popular para enfrentamento e resolução de problemas que o sistema não está interessado em resolver.

  1. 2.       Tempo de Referência

 Fevereiro a Dezembro de 2012

  1. 3.       Objetivo geral das ações de 2012                                                                 

O NPC oferece atividades de formação para uma ação política continuada, centrada na COMUNICAÇÃO e influenciada por uma visão social libertadora. Assim, pretende-se estimular o engajamento da sociedade no dia-a-dia e na luta por causas concretas que possam auxiliar na modificação da sociedade atual e, em especial, da cidade do Rio de Janeiro do ano de 2012.                                                                        

A atividade do NPC visa a propiciar a compreensão e favorecer a ação prática para que nossos alunos e colaboradores se comprometam e sejam capazes de mostrar para muitos outros a necessidade de construir outra sociedade, livre, justa e solidária.

Ao mesmo tempo, nossas atividades estão também voltadas para a formação profissional de jovens que moram em favelas para que estes assumam funções correspondentes à sua formação, seja no movimento social, seja no mercado de trabalho.

Nossas aulas de história, economia, geografia, literatura e redação possibilitam aos mais velhos uma ação mais qualificada em associações de moradores, associações de classe, pastorais sociais, debates e seminários nos quais expõem as razões de suas lutas.

Nossos alunos têm alcançado êxito também na vida acadêmica. Todos os nossos alunos matriculados em cursos de jornalismo, terminam seus cursos. Poucos são os que não conseguem atuar nesta área. Alguns descobrem que o curso de mestrado é uma realidade possível e alcançável mesmo para os filhos da classe trabalhadores.

Essas ações visam ao empoderamento concreto do grupo tanto no campo político quanto profissional.

  1. 4.      Ações específicas em 2012

A)      Curso anual de Comunicação Popular e Comunitária    

  • Atividade Planejada: Atividade de formação promovida pelo NPC que já está em sua sétima edição, com duração total de oito meses, desde o planejamento, seleção e avaliação final compreende aulas de oito horas, sempre aos sábados, aulas noturnas e atividades de formação cultural extra-classe. O curso totaliza carga horária de 70 horas e é destinado a um público de 35 ativistas sociais, estudantes oriundos de pré-vestibulares comunitários e moradores de favelas (jovens e adultos) e ocupações urbanas, atuantes em atividades coletivas de formação ou comunicação comunitária. Dentre os objetivos dessa proposta cabe destacar alguns:                       

a) Fornecer elementos teóricos que permitam ao grupo analisar a sociedade no qual está inserido, desde o nível local ao mundial, através do estudo da história da classe trabalhadora e das lutas sociais.                  

b) Acompanhar o grupo política, acadêmica e profissionalmente durante um ano;               

c) Disponibilizar ferramentas para que essas pessoas possam atuar nas suas comunidades, numa visão libertadora da exploração e opressão à qual o povo pobre está submetido;                                                                 

d) Possibilitar a integração para ação conjunta de pessoas que moram em diferentes favelas/comunidades;             

e) Auxiliar na criação de instrumentos de formação e comunicação para atender as comunidades de origem dos alunos do curso;                            

f) Criar nos alunos a prática de ser multiplicador das coisas aprendidas e incentivador de ações de comunicação no sentido libertador;                                                                                                            g) Facilitar o ingresso profissional dos alunos que sejam estudantes de comunicação, em sindicatos, organizações e movimentos sociais que tenham em seus quadros trabalhadores nesta área.

  • Público-alvo: Ativistas sociais, estudantes oriundos de pré-vestibulares comunitários, moradores de favelas e ocupações urbanas, desempregados, moradores de rua, mulheres do povo que atuam em suas comunidades, militantes comprometidos com a causa da construção de uma comunicação para uma nova sociedade, já atuantes em atividade de formação ou comunicação comunitária.
  • Duração: Oito meses. Início em março e fim em outubro de 2012.
  • Atividades previstas:

- Aulas de 8 horas quinzenalmente aos sábados.

- Aulas noturnas de reforço. O total de horas do curso é de 70. Algumas acontecerão em sindicatos no Centro do Rio e outras em favelas/comunidades selecionadas entre os locais de moradia dos alunos.

- Atividades culturais como idas ao teatro, cinema e uma viagem para troca de experiências com iniciativas de comunicação comunitária.

- Produção de um jornal impresso, com tiragem de 3.000 exemplares.

  • Impacto esperado: Transformação dos sujeitos marcados por problemas sociais e construção da coletividade. Formação de indivíduos capazes de manejar com desenvoltura a técnica da escrita, da oratória, da montagem, da produção e execução de rádio, TV e jornais comunitários e dispostos a usar este saber para a concretização de uma comunicação voltada para os interesses da classe, que comunique o que lhe diz respeito e o que é de interesse de sua classe.
  • Avaliação do impacto: alguns meses após o término do curso, podemos avaliar quais atividades de comunicação foram implementadas e qual a qualidade delas. Avaliaremos a comunicação escrita, a irradiada e a eletrônica: twitter, facebook, etc. Simultaneamente, poderemos avaliar ação políticas dos alunos e seus resultados para a comunidade. Também são mensuráveis os níveis de emprego alcançados pelos alunos.

B)     Curso para alunos das 6 edições anteriores deste Curso  

  • Atividade Planejada: Em seis edições, quase 300 alunos já passaram pelo Curso de Comunicação Comunitária do NPC. Após a “formatura”, alguns foram trabalhar com temas relacionados aos tratados durante a formação. Além disso, muitos são responsáveis ou ajudam a manter jornais ou rádios comunitárias em suas comunidades. Quase todos já estão se familiarizando com a internet e o uso das redes sociais voltadas para suas atividades sócio-políticas-educativas.  

Nesse sentido, o Curso Modular para ex-alunos do NPC tem três objetivos específicos.

1 - O primeiro é partilhar mais experiências com esses alunos, renovando o contato e aproveitando a experiência adquirida por eles nesse período.

2 - O segundo é ouvir e reunir as impressões e opiniões dos mesmos de forma a pautar a construção dos cursos futuros.

3 - O terceiro é proporcionar uma atualização específica conforme as necessidades da atividade de formação e comunicação comunitária de cada um.

A atividade será dividida em módulos e oferecida aos participantes das edições anteriores do Curso de Comunicação Comunitária de acordo com o seu campo de atuação. Os módulos previstos hoje são: 1-Rádio Comunitária. 2 - Internet e Redes sociais. 3 - Jornal. 4 - Linguagem adequada para comunicar com o povo.

  • Duração: Quatro dias: 32 horas.  
  • Carga horária: 32 horas
  • Formato: O curso será dividido em uma atividade concentrada em um final de semana e em aulas noturnas dos temas específicos: 1 -Rádio Comunitária. 2 - Internet e Redes sociais. 3 - Jornal. 4 - Linguagem adequada para comunicar com o povo.
  • Resultados: Pretendemos atingir um total de 30 alunos. Como resultado tangível, cada dois grupos de alunos, de aproximadamente 7 participantes), produzirá um blog (após a pesquisa feita coletivamente) sobre um dos temas centrais na vida e luta do Rio de Janeiro em 2012. Os temas previstos hoje são: a) Modelos de desenvolvimento b) democracia c) direitos humanos d) Educação  e) Saúde f )Moradia . Será produzido um jornal impresso, com tiragem de 3.000 exemplares.
  • Impacto da ação: este curso/encontro visa fazer um levantamento das principais dificuldades práticas dos alunos na prática da comunicação comunitária. Cada antigo aluno poderá colocar seus problemas práticos e, de maneira coletiva, descobrir como resolvê-los. Queremos, com isso, aperfeiçoar a comunicação que cada um esteja desenvolvendo e reforçar o compromisso político com uma comunicação contra-hegemônica.
  • Pretende-se com esta ação avaliar como os jovens estão colocados no mercado de trabalho, lembrando sempre que um dos impactos pretendidos pelo curso é a empregabilidade dos jovens jornalistas que moram em favelas e de que forma o desenvolvimento do jovem volta para a comunidade. No caso dos mais velhos a aposta é na ação política que trata melhorias para a coletividade.
  •  Avaliação do impacto: a aferição dos resultados não será imediata e sim dependente de um acompanhamento permanente das atividades de cada participante no campo desta comunicação. Regularmente podermos manter contato coletivo com o grupo via e-mail.

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